| O Homem Vento |
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Quem?
Onde?
partir
partir
partir é
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| domingo, abril 06, 2008 |
| Anotações |
Escrever me faz bem. Seria maravilhoso se eu pudesse andar com o caderno para anotar tudo o que eu gostaria de me lembrar, mas notei que escrever tudo seria desgastante. Depois notei que também seria um desperdício, primeiro porque escrever isso tudo gastaria um tempo incalculável, mas principalmente porque alguns momentos devem ser somente vividos.
Concluído o fato de que escrever tudo é impossível, adotei o bloco de anotações e o método “uma frase que lembra todo o resto”. Não foi de todo descartado, mas o que tenho hoje é um bloco quase desintegrado, do qual nem um terço foi usado, e que deixou de freqüentar o meu bolso para descansar ora na minha estante, ora na minha mochila. Abri tão poucas vezes para lê-lo que consigo me lembrar de cada uma. Algumas frases não me fazem lembrar de todo o resto como o planejado e outras simplesmente não fazem mais sentido na minha vida. As coisas que expliquei de mais perderam a graça.
Cheguei à conclusão de que o melhor meio de conseguir o que quero é, como eu detesto ouvir, “organizar as idéias”. Não parece tão ruim no papel.
Ah, o papel muda tudo.
No fim, escrever tem que ser um momento especial e raro que eu possa apreciar e saborear como outros momentos especiais e raros.
“Uns dias de férias, esperando por uma noite que vai te fazer perder todo o resto dos seus dias.” Essa não deixou de me lembrar de todo o resto e ainda faz sentido na minha vida, mas com certeza eu não vou usá-la. Estou dando para alguém que queira.
(por Renan Ramiro)Marcadores: Aerofilia, Biruta |
Soprou O Incrível Cabeça de Vento @ 4/06/2008 09:12:00 PM
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| segunda-feira, dezembro 31, 2007 |
| Meu Último Dia |
Depois de toda a confusão, depois de tanta dor e barulhos agudos, é estranho me sentir calmo assim. Agora, mais nada existe além de mim. Estou me sentindo novo e disposto a respirar, estou me sentindo muito bem, mesmo sem estar alegre ou feliz. No entanto, não parece me faltar nada: eu estou satisfeito da vida que levei, do trabalho que fiz ora para os outros, ora para mim. Estou rodeado de alguma luz que não preciso dos olhos para ver, posso senti-la aconchegar-me.
Não é mais o hospital aqui. Onde estou então? Aqui tem paz para a minha mente, ar puro para meus pulmões e bastante de mim disputando espaço com uma tristeza que não é minha. Muito de mim e uma tristeza que não é minha. Onde estou? Por entre a luz confortável, árvores estão se materializando, formando caminhos. Entre um deles, lá está a tristeza respirando fundo, buscando por mim. Enquanto ela me chama, percebo que ela é aquele amigo mais companheiro e mais irmão que eu pude ter. Desde menino, ele me fez rir, pensar, enxergar e ir adiante. Sempre me tinha feito ir adiante.
Entre as lembranças, uma nova de encorajamento. Ele me encorajava enquanto eu estava inconsciente e isso me faz tão grato – ele passou todos esses momentos ao meu lado – que meu sentimento atinge um ponto em que pode tocá-lo. Eu consigo ver minha gratidão abraçá-lo e então é isso.
Devagar sua imagem começa a se dissipar, as árvores estão se desmaterializando. Sua presença se torna quase imperceptível porque sua pequena porção de tristeza agora se confunde com a luz em que se transformou, e essa se confunde com a luz que me aconchega. Tenho uma ligeira sensação das coisas que, aos poucos, vão se transformando novamente, formando barreiras já ultrapassadas por onde eu vou caminhar. As coisas novas ficam muito nítidas para mim, mas sei o que de antigo ainda está lá, eu sei o que de imortal me acompanha. Olho para as novas barreiras antecipando um passo, completamente estimulado a ir adiante.
(por Renan Ramiro)
Complemento: Meus Últimos Dias e a Segunda Pessoa de Três Fragmentos em Primeira Pessoa Marcadores: Aerofilia, Calafrio |
Soprou O Incrível Cabeça de Vento @ 12/31/2007 02:03:00 PM
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| sexta-feira, novembro 09, 2007 |
| Muito Tempo |
Filha, o primeiro motivo pelo qual eu gostaria de lhe pedir desculpas é não ter deixado – ou ter impedido de alguma forma - você ter um bom aniversário de 15 anos, ou um baile de debutante, apesar disso não ser coisa que combina com você. Desculpas por ter feito um dia tão especial pra você ter se tornado um dia, de certa forma, irrelevante. Eu tentei ser forte até lá, mas o fato é que já estava adiando a conseqüência dos atos que cometi jovem um pouco do que devia.
Outro motivo pelo qual peço desculpas é por ter feito você ver algumas pessoas que você gosta tristes, algumas vezes contendo algum choro, algumas vezes transbordando. Sei que sua maior dor foi por eles e sinto muito por isso. Desculpe-me também pelas vezes que não te abracei; que pude fazer, mas não soube como ou, em alguns casos, que não me deixei saber que era isso o que você precisava. Sei hoje você se conformou com os abraços que a vida pôde lhe dar e eu lhe digo, minha filha, que isso é um dom. Um dom existente entre muitos outros que admiro em você.
Claro que você não sabe disso, mas quando não sabia nem o que eram números, me ensinou muita coisa sobre a vida. Com o passar do tempo, suas preocupações foram mudando e minha atenção foi um pouco desviada de você, provavelmente porque era a hora de eu assumir responsabilidades. Era minha vez de lhe ensinar. Ensinei, sim. Mas gostaria de ter ensinado muito mais. Gostaria de ter respondido todas as perguntas que você iria perguntar quando estivesse comigo embora uma grande parte das respostas que acredito que você saiba melhor do que eu.
Quando não pude mais, não agüentava mais e quando enfim cedi, foi você que me ensinou que morrer não era tão ruim. Foi bem quando meu corpo disse chega que enxerguei você bem nitidamente na minha vida; você esteve lá. De repente você estava na minha passagem também. E, vendo você, pequenina, não era tão difícil. Não era porque você sorria. Seu sorriso foi a minha motivação e quando me dei conta, todo o mal já tinha passado.
Pode ser que você só enxergue a barreira que há entre nós, mas fatalmente existe uma ligação ainda maior. Não é muito perceptível para alguns sentidos que você tem tão aflorados mas lhe digo que há. Também digo que sempre que posso estou tentando fazer você ver as respostas das perguntas que você teria feito. Respostas que poderiam ser menos visualizadas se respondidas naquele... Naquele pouco tempo.
(por Renan Ramiro)Marcadores: Aerofilia, Calafrio |
Soprou O Incrível Cabeça de Vento @ 11/09/2007 11:33:00 PM
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| domingo, agosto 26, 2007 |
| Isso |
Areia, pedra, vento e mar. O sol já fora de vista. Observando nada, em um momento desimportante... Apenas na pedra, observando o mar, com o vento no rosto, passando forte pelos ouvidos e orquestrando harmonicamente com o som do mar. Foi assim, sem lugar, sem hora marcada que ele apareceu.
Pedra, vento, mar. O sol já fora de vista. Eu; ele. O esperado reencontro esperando por resoluções. Areia.
A presença às minhas costas fez o som do vento em meus ouvidos diminuir.
- Você aqui... Eu não imaginava...
Reconheci a voz, o tom, o ritmo pausado. Eu; ele. O esperado reencontro. Nem precisei me virar para trás. Estava o sentindo, e estava exatamente como a última vez em que havia o visto. Senti seu nervosismo causado pela minha presença e todo o corpo paralisado, exceto pelos pés que descalços encravavam alguns dedos sob a areia. Olhei o mar e fechei os olhos: senti sua tristeza.
- Eu apenas esperava. – eu disse, abrindo os olhos – Sempre esperei.
- Sinto muito.
- Eu também sinto. Você...
- Eu quis não dar certo.
Não era o que eu esperava ouvir
- Isso.
Ficamos em silêncio, eu, ele, vento e mar. O sol já fora de vista, esperando resoluções. Pedra. Os dedos dos pés sob a areia. Falei, de repente:
- Você desistiu, na verdade!
Ele abaixou a cabeça.
- Isso.
E eu sabia! Eu! Ele, que sempre era o otimista, que dizia que o mal, na verdade, sempre vencia e que o otimismo era a única arma que os bons tinham contra ele. Ele! Ele desistiu. Talvez o excesso de otimismo na época ou talvez porque não queria deixar de lado a teoria de que o mal sempre vencia. Pensando bem, eu me perguntava se esse era considerado um mal para ele... Apenas me perguntava. Virei para trás e olhei para ele, ainda de cabeça baixa. Observei-o por um tempo até que ele levantasse a cabeça e olhasse diretamente para mim. Olhou então para o horizonte: o mar.
- E não temos mais tempo, não é mesmo?... Não existe outra forma, existe?
- Isso.
Era a resolução. O esperado fim acontecendo. Indesistível, era como era pra ser. Não era hora de voltar agora.
- O sol já está fora de vista.
(por Renan Ramiro)Marcadores: Aerofilia, Brisa na Janela, Calafrio |
Soprou O Incrível Cabeça de Vento @ 8/26/2007 11:37:00 AM
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| quarta-feira, dezembro 20, 2006 |
| Problemas de Estação |
Assim como o começo da minha vida, quando fui separado do meu cadarço original, o fim está sendo duro para mim. Jamais imaginei que, depois das aventuras que vivi, teria então muito tempo para lembrá-las.
Conheci meu dono no fim de sua adolescência. Logo meus cadarços brancos foram trocados por cadarços verdes e, depois de umas voltas pela cidade, fomos atrás do seu primeiro emprego. Conseguimos numa loja de calçados. Durante o serviço, ele tinha que usar outro calçado, mas sempre quando terminava o expediente, me claçava e pegávamos o ônibus (correndo, algumas vezes). Sempre fiel a mim. Eu nem reclamava de esperá-lo no trabalho, já que eu sempre estava conhecendo calçados novos, simpáticos, confortáveis e de última linha. Cada um com sua história por acontecer, querendo saber se eram ou não da moda, gostando ou não disso. Mas nenhum daqueles destinos talvez fosse tão bom como foi o meu.
Quantas vezes pulei nos shows da banda preferida dele! Quantas vezes suportei estar debaixo da poltrona do cinema vendo uma melissa moderninha a se balançar lá fora. E por quanto tempo bati com a cara na parede quando o namoro do meu dono com a dona dela não deu certo! Como me senti aliviado em revê-lo quando quase fui roubado!
Tanta coisa para, no fim, o calor fazê-lo trocar-me por um chinelo e, ainda pior, um outro tênis mais aberto e fresco. Que saudade eu sinto de cruzar os tornozelos... que saudades eu sinto do inverno de verdade!
(por Renan Ramiro)Marcadores: Aerofilia, Brisa na Janela, Calafrio |
Soprou O Incrível Cabeça de Vento @ 12/20/2006 11:26:00 AM
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| O Homem Vento |
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Quem? Renan Ramiro.
Onde? Atmosfera.
Rapaz de estilo urbano, num tema me-vê-uma-goiaba. Arrisca uns rabiscos, coloca aqui. Apaixonado por música, por amigos e tem um coração de fácil acesso, embora não saiba classificar tal característica como boa ou ruim. Lê de vez em quando, é vegetariano e gosta de filmes que mostram o mundo de uma forma que as pessoas não estão habituadas a vê-lo. Ainda vive.
Algo mais?
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| Outros Ares |
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