Sobrevi Vento Envergonhado

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quarta-feira, agosto 30, 2006
O Que Podemos Aprender com Professores de História
A vida é bem esquisitinha ás vezes. As coisas vão mudando não tão devagar quanto pensamos.

Ultimamente eu tenho me sentido mais triste, não sei por quê. Não digo triste, digo menos feliz. É esquisito, você ver que está amadurecendo, sabe? E então não querer amadurecer, ficar com saudades do instante anterior, de você, do sentimento que se tinha por algumas pessoas e que agora vão se tranformando superficiais. Os gostos vão mudando. Mas você não quer mudar.

É tipo aquela história dos caras que estavam presos dentro de uma caverna e, quando um conseguiu se soltar, saiu e, vendo a beleza de fora, voltou pra soltar os outros e esses outros mataram-no. Ás vezes é mais cômodo continuar dormindo do que acordar. É assim que me sinto, preso ao meu passado. Mas por que de um momento tão rápido se fez outro? Talvez os estudos, que criam mais responsabilidades, os compromissos que vamos arrumando, as piadas que vamos (des)entendendo. Fases são fases, claro, não nos é permitido saber se no futuro seremos aquele que venceu na vida profissinal, familiar, amorosa, ou teremos enlouquecido por excesso de informação, pode ser que nesse mundo logo sejamos apenas ossos em uma cova... e lembranças.

Quando eu peguei dengue, perdi uma semana de aula e, por não conseguir estudar, não consegui dar continuidade nas matérias, fui mal em história e fui obrigado a prestar atenção nas aulas do professor considerado o mais chato, só porque a voz dele é quase um sonífero. Ele não é uma pessoa ruim, e passa a matéria bem e ninguém, incluindo eu, tinha feito um esforço grande o bastante pra não dormir nem um momento durante toda a aula.

Um dia o professor perguntou o contrário de coletivismo e disseram que era solidão. O professor fez a observação de que solidão é um estado psicológico: uma pessoa pode estar acompanhada de muitas pessoas e se sentir sozinha. Eu me sinto solitário, e, terrivelmente, não me sinto muito carente. É quase como comer em um lixão: você detesta aquilo, mas se sente satisfeito. A diferença é o físico e o metafísico. Que triste eu estar falando isso. Que triste eu estar escrevendo isso num blog. E eu sei que meus amigos não vão acessar isso. Mas eu escrevo por mim. Não como desabafo. Mas como um grito que algum dia alguém vai escutar. Porque eu escuto esses gritos, ainda que tardiamente. Será que mais alguém ouve?

Eu não sei a que turma eu pertenço. Ao mesmo tempo que sou quase uma criança, me sinto enrugado por dentro. O professor de história é enrugado por fora, casou e separou várias vezes, provavelmente ainda espera por uma pessoa certa, e ainda espera que os alunos se interessem pela aula dele. Ainda que os alunos não se interessem, ele espera que eles não levem isso para o lado pessoal. Por que a gente espera tanto? O que a gente faz de errado?

Esses dia atrás, em um dia de prova, o professor de história estava 'inspecionando' a minha sala, os anos escolares se misturam em dia de prova e eu pude ver que as pessoas tratam bem mal o professor até quando ele não dá aula. Cheguei a vê-lo estender a mão para uma menina do segundo ano num gesto de "toca aí, você terminou a prova, viva!": ela olhou para o estojo, e e foi em direção à porta. Não sei porque algumas pessoas desprezam mais ele do que aquela pessoa que jamais pensaria no próximo.

Enfim, quando eu terminei a prova entreguei pra ele guardar e dei um sorriso solidário: ele olhou para a prova, e foi em direção à mesa.

(por Renan Ramiro)

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Soprou O Incrí­vel Cabeça de Vento @ 8/30/2006 04:43:00 PM   4 suspiros

quarta-feira, agosto 02, 2006
Extra-terrestre
Eu me lembro de quando era bem menino e morava numa cidade de interior bem remota. Em um fim de tarde, eu estava passando por um dos campos e sem querer avistei um vulto muito brilhante. Estava próximo, de certa forma, mas eu tive que caminhar além das árvores para me certificar do que era.

A luz vinha de um prisma retangular de pontas arredondadas, mas trazia a sua frente algo mais curioso. Um ser sem nenhum brilho físico, mas que brilhava de alguma forma pra mim. Parecia um humano, mas também um peixe. Eu não quis correr porque aquilo, por mais assustador que fosse, me fez sentir bem.

Ouvi um barulho atrás de mim, muito grande. Provavelmente não era só eu quem tinha visto aquele clarão. Depois de passos, ouvi gritos. Mas eu não entrei em pânico, sentia uma paz imensa. E vários minutos se passaram enquanto eu via aquela cena, aquele ser olhando pra mim com um brilho incerto, até parecia sorrir. E os gritos, diante do sorriso metafísico que não sei explicar, ficaram mais amenos pouco antes de soar um som alto e surdo, o tiro de uma espingarda. Um tiro vindo da multidão.

A paz que eu sentia se transformou numa normalidade pesada. Em outras palavras, tudo ao voltou normal, mas o normal não parecia uma coisa boa. Eu não consegui ver a expressão que o ser fez ao receber o tiro, mas pude ver a imagem dele e do seu transporte em forma de prisma mesclarem com o céu e com as colinas que existiam na paisagem fazendo com que, em poucos segundos, eles não estivessem mais lá. Não tinha mais prisma, não tinha mais ser diferente. Só tinha o campo escuro.

Naquela noite todos comentavam sobre o acontecimento, falavam sobre guerra entre dois mundos, enquanto eu guardava comigo a plena certeza de que se algo tem inteligência o bastante para chegar em outro planeta, esse algo também tem inteligência para não querer a guerra, mas sim, a paz. Nem todo mundo que não viu acreditou na história, claro. Mas foi depois daquele dia que minha cidade deixou de ser remota e passou a ser conhecida como uma "cidade mal-assombrada por ET's". Me pus a pensar: tentamos de tantas formas visitar outros planetas, mas nunca conseguimos sair da nossa encubada guerra interna.

(por Renan Ramiro)

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Soprou O Incrí­vel Cabeça de Vento @ 8/02/2006 03:16:00 PM   5 suspiros

O Homem Vento

Quem? Renan Ramiro.
Onde? Atmosfera.
Rapaz de estilo urbano, num tema me-vê-uma-goiaba. Arrisca uns rabiscos, coloca aqui. Apaixonado por música, por amigos e tem um coração de fácil acesso, embora não saiba classificar tal característica como boa ou ruim. Lê de vez em quando, é vegetariano e gosta de filmes que mostram o mundo de uma forma que as pessoas não estão habituadas a vê-lo. Ainda vive.

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