Escrever me faz bem. Seria maravilhoso se eu pudesse andar com o caderno para anotar tudo o que eu gostaria de me lembrar, mas notei que escrever tudo seria desgastante. Depois notei que também seria um desperdício, primeiro porque escrever isso tudo gastaria um tempo incalculável, mas principalmente porque alguns momentos devem ser somente vividos.
Concluído o fato de que escrever tudo é impossível, adotei o bloco de anotações e o método “uma frase que lembra todo o resto”. Não foi de todo descartado, mas o que tenho hoje é um bloco quase desintegrado, do qual nem um terço foi usado, e que deixou de freqüentar o meu bolso para descansar ora na minha estante, ora na minha mochila. Abri tão poucas vezes para lê-lo que consigo me lembrar de cada uma. Algumas frases não me fazem lembrar de todo o resto como o planejado e outras simplesmente não fazem mais sentido na minha vida. As coisas que expliquei de mais perderam a graça.
Cheguei à conclusão de que o melhor meio de conseguir o que quero é, como eu detesto ouvir, “organizar as idéias”. Não parece tão ruim no papel.
Ah, o papel muda tudo.
No fim, escrever tem que ser um momento especial e raro que eu possa apreciar e saborear como outros momentos especiais e raros.
“Uns dias de férias, esperando por uma noite que vai te fazer perder todo o resto dos seus dias.” Essa não deixou de me lembrar de todo o resto e ainda faz sentido na minha vida, mas com certeza eu não vou usá-la. Estou dando para alguém que queira.
(por Renan Ramiro)Marcadores: Aerofilia, Biruta |