| O Homem Vento |
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Quem?
Onde?
partir
partir
partir é
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| terça-feira, setembro 25, 2007 |
| Vício X Zelo |
Abigail Aguiar é bolero e catitice. Desde menina, ao chegar em casa no fim da tarde, ligava o seu tocador de fitas com o último bolero e colocava seu vestido amarelo, leve. Na varanda, o som harmonioso em sincronia com seus passos, sua mão esquerda no ar, na altura do pescoço, como quem pede para que a música não termine e o faz sem deixar de senti-la. Talvez uma mão a espera de um par. Dois para um lado, dois para o outro. De olhos fechados, sentindo o que fosse de sentir no momento, com o seu vestido leve esvoaçante. Um pouco abaixo dos joelhos, o borrão amarelo do tecido subia e descia. Dois para um lado e dois pro outro. Passos lentos. Um sorriso leve no rosto.
Mesmo com o passar dos anos, Abigail Aguiar ainda ao amarelo antigo, agora envelhecido, liga o toca-fitas com o dedo um pouco enrugado, e se embala. Ela se embala por dentro, se embala por fora. Levanta a mão esquerda no ar e agora toca de leve seu ombro. Acalenta-se. O último bolero agora já é velho mas os seus olhos ainda se fecham, sua boca ainda sorri tão leve quanto o movimento do seu vestido, apenas com a diferença de que agora todos esse movimentos mostram marcas do passado. Lá há marcas de que Abigail nunca deixou de fechar os olhos, nem de sorrir e nem de dançar com o vestido amarelo. Apesar de seus sempres, não existe imutável em lugar nenhum.
Abigail Aguiar, agora arfante, acostumou-se ao bordejo cego de espera. Aceitou seu vestido como parceiro. Afinal, sua vida era o bolero e o bordejo enfático: dois para um lado, dois para o outro. E quando Abigail transpira sua música e seu amarelo, o povo vê Abigail Aguiar alegre ao bolero, catita e dançando fascinada... E todo o resto do alfabeto.
(por Renan Ramiro)Marcadores: Brisa na Janela |
Soprou O Incrível Cabeça de Vento @ 9/25/2007 08:51:00 PM
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| domingo, setembro 02, 2007 |
| Estilo, Espelho e Terceira Pessoa |
Terça-feira era seu dia de barbear. Sabia que quarta-feira era dia de estranharem o seu rosto nu e pegava a navalha afiada, se espumava na cara toda, tirava tudo, jogava nos cantos da pia. Deixava a pia molhada com espuma e pêlos. Era assim terminavam as suas terças-feiras.
Certa terça-feira, sua navalha passou pela sua orelha direita, arrancando-lhe um pedaço. Deixou então a pia molhada com espuma, carne, sangue e pêlos. No dia seguinte, em um tempo em que já haviam se acostumado com a nudez própria das quartas-feiras, passaram a estranhar a nova ausência. Foi assim que ele se sentiu indescritivelmente bem fugindo da rotina das quartas. Indescritivelmente bem - um estado que realmente só ele e seu narrador onisciente podem saber.
E que fique bem claro que esse texto possui um narrador onisciente (que supostamente sabe também onde um texto deve acabar), para que entendam a sua estranheza.
(por Renan Ramiro)Marcadores: Calafrio, Catavento |
Soprou O Incrível Cabeça de Vento @ 9/02/2007 12:25:00 PM
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| O Homem Vento |
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Quem? Renan Ramiro.
Onde? Atmosfera.
Rapaz de estilo urbano, num tema me-vê-uma-goiaba. Arrisca uns rabiscos, coloca aqui. Apaixonado por música, por amigos e tem um coração de fácil acesso, embora não saiba classificar tal característica como boa ou ruim. Lê de vez em quando, é vegetariano e gosta de filmes que mostram o mundo de uma forma que as pessoas não estão habituadas a vê-lo. Ainda vive.
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