| O Homem Vento |
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Quem?
Onde?
partir
partir
partir é
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| terça-feira, dezembro 11, 2007 |
| No Ônibus |
Você estava de passagem, eu estava de passagem. Você, em pé, me perguntou usando a cara mais exata que poderia fazer.
- Posso me sentar aqui?
Se podia se sentar ao meu lado. Eu balancei a cabeça pra cima e pra baixo indicando que você podia, tentando parecer natural, sem demonstrar como eu estava feliz por você estar se sentando do meu lado pela primeira vez, como iria fazer por toda a sua vida. Eu percebi que tínhamos sido feitos um para o outro e que aquele momento era o encontro.
Nem muito tempo se tinha passado ali dentro e seus olhos estavam fechados, o seu corpo jogado na poltrona, a sua perna relaxava encostando à minha, balançando com a minha perna e estrada. Ali, a fusão que me levava ao futuro. Logo mesmo estaríamos juntos na cama, com seus olhos fechados e a boca um pouco aberta sussurrando qualquer coisa tola com ar quente na minha orelha, nos fazendo rir um riso longo e puro que só cessaria quando nos sentíssemos como amigos de infância se sentem na presença um do outro. No neutro ônibus, enquanto sua perna roçava na minha, eu já podia ver tudo o que iria acontecer depois daqueles risos inocentes, transformando o fim da tarde num segundo; já via as noites que íamos passar lado a lado, cuidando de nós mesmos, ninando. A estrada transformava o roçar num carinho. Era um carinho! Um carinho me pedindo a vida, mostrando desde nossa busca mútua até o fim dos nossos tempos. A pessoa certa.
Não, devaneios. Eu era, de repente, o indecente que precisava pedir desculpas pelos seus devaneios, pela sua mente. Devia-lhe desculpas por nossa história ser assim um cochilo seu e um sonho meu. Uma mentira inventada no ônibus, para distrair. O que você fez foi apenas se sentar e dormir...
Relaxar as pernas... Fazer carinho... Na minha estrada. Talvez então não tivesse sido tão mentira assim. Tudo de novo.
Sua cabeça virada pra cima pelo jeito da poltrona, olhos fechados, sua pele e cabelos com o brilho fosco que você vai saber no futuro que eu adoro em você. Tinha parado de sentir sua perna: vi que eu estava ficando em pé, aproximando meu rosto do seu. Devaneios. Os rostos cada vez mais próximos. Mentira para distrair. O ar que vinha do teto no seu cabelo. Indecente. A pele tão próxima. Qualquer coisa tola. Abriu os olhos, num despertar assustado. A pessoa certa.
- Você vai descer aqui?
Eu balancei a cabeça pra cima e pra baixo indicando que sim e, saindo, esbarrei a última vez com as suas pernas - última de tantas outras que viriam. Desci do ônibus.
(por Renan Ramiro)Marcadores: Brisa na Janela |
Soprou O Incrível Cabeça de Vento @ 12/11/2007 11:21:00 PM
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| O Homem Vento |
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Quem? Renan Ramiro.
Onde? Atmosfera.
Rapaz de estilo urbano, num tema me-vê-uma-goiaba. Arrisca uns rabiscos, coloca aqui. Apaixonado por música, por amigos e tem um coração de fácil acesso, embora não saiba classificar tal característica como boa ou ruim. Lê de vez em quando, é vegetariano e gosta de filmes que mostram o mundo de uma forma que as pessoas não estão habituadas a vê-lo. Ainda vive.
Algo mais?
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| Ventando |
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| Ventado |
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| Outros Ares |
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| Outras Cores |

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6x Aaahhh:
RRRENAN!
Se parar com ele... ficaremos tristes! Logo, nos tornaremos fãs de Latino e você realmente não quer amigos que sejam fãs de Latino, não?
Ok, eu ficarei triste e me tornarei uma fã de Latino, O sem noção.
Veja bem, me deu vontade de andar de ônibus com seu texto!
É excelente! E é mesmo!
Oh sim, eu disse que começaria a comentar a partir do próximo e tcharam, here I am!
Go go go, menino do ônibus.
aDoro essas esperanças, elas são graça azul.
vai...
vai ficar louco!
a louca!
vai lá ver a hora que entrei aqui!
hahahaha
a louca!
gostei do texto.
(já reparou nos meus modelos de comentários?)...
digo apenas que gostei desse, certo?
80% como escritor.
e tenho dito.
sabe, chouchou, não é uma questão de socialismo x capitalismo. Todo sistema governamental é falho. Tenho umas considerações a respeito, mas elas costumam ser um tanto quanto...assustadoras. É apenas uma questão de ser razoável, sabe? Tem um limite para essa bagaceira, tem que ter! Ou que ao menos tenham a bondade de tratar sonhos como sonhos, e não como mais um produto. Essa relação produto/consumo tem me perturbado um tantinho, acho que é aquele sentimento meio besta de proletário frustrado...hahaha
e para dizer a verdade, eu tenho lá a minha birrinha com socialista, e ainda mais, com marxistas. Aliás, como dizem uns amigos meus, eu sou tão crítica que não consigo me divertir, aí reside a minha fraqueza.
sinta-se a vontade, mon cher. Quando tiver tempo, volto para ler e comentar decentemente.
=*
Morango Mofado.
É, percebo que vocÊ prefere ônibus à táxi mesmo, e com motivos ^^
As melhores idéias e os melhores romances são gestados nas cabeças dos passageiros de onibus. Tenho dito.
=*
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