Sobrevi Vento Envergonhado

Sobreviventes do incrível homem vento...

O Homem Vento

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domingo, agosto 26, 2007
Isso
Areia, pedra, vento e mar. O sol já fora de vista. Observando nada, em um momento desimportante... Apenas na pedra, observando o mar, com o vento no rosto, passando forte pelos ouvidos e orquestrando harmonicamente com o som do mar. Foi assim, sem lugar, sem hora marcada que ele apareceu.

Pedra, vento, mar. O sol já fora de vista. Eu; ele. O esperado reencontro esperando por resoluções. Areia.

A presença às minhas costas fez o som do vento em meus ouvidos diminuir.

- Você aqui... Eu não imaginava...

Reconheci a voz, o tom, o ritmo pausado. Eu; ele. O esperado reencontro. Nem precisei me virar para trás. Estava o sentindo, e estava exatamente como a última vez em que havia o visto. Senti seu nervosismo causado pela minha presença e todo o corpo paralisado, exceto pelos pés que descalços encravavam alguns dedos sob a areia. Olhei o mar e fechei os olhos: senti sua tristeza.

- Eu apenas esperava. – eu disse, abrindo os olhos – Sempre esperei.

- Sinto muito.

- Eu também sinto. Você...

- Eu quis não dar certo.

Não era o que eu esperava ouvir

- Isso.

Ficamos em silêncio, eu, ele, vento e mar. O sol já fora de vista, esperando resoluções. Pedra. Os dedos dos pés sob a areia. Falei, de repente:

- Você desistiu, na verdade!

Ele abaixou a cabeça.

- Isso.

E eu sabia! Eu! Ele, que sempre era o otimista, que dizia que o mal, na verdade, sempre vencia e que o otimismo era a única arma que os bons tinham contra ele. Ele! Ele desistiu. Talvez o excesso de otimismo na época ou talvez porque não queria deixar de lado a teoria de que o mal sempre vencia. Pensando bem, eu me perguntava se esse era considerado um mal para ele... Apenas me perguntava. Virei para trás e olhei para ele, ainda de cabeça baixa. Observei-o por um tempo até que ele levantasse a cabeça e olhasse diretamente para mim. Olhou então para o horizonte: o mar.

- E não temos mais tempo, não é mesmo?... Não existe outra forma, existe?

- Isso.

Era a resolução. O esperado fim acontecendo. Indesistível, era como era pra ser. Não era hora de voltar agora.

- O sol já está fora de vista.

(por Renan Ramiro)

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Soprou O Incrí­vel Cabeça de Vento @ 8/26/2007 11:37:00 AM  

2x Aaahhh:

Blogger Luisa, suspirou...

me perdi um pouco nas pedras, areias, e o sol fora de vista. mas acho que peguei o texto :)
tem a quantidade de curiosidade certa, ficou muito bacana. :)
me gusta.

26/8/07 14:01  
Blogger vanderlei suspirou...

Ando pensando no que este e outros textos provocam. Há uma estranheza que fica no ar, um mistério. Acho que é isso que acaba atraindo. Mas não é só um mistério, há ainda uma combinação de familiaridade com o mistério. Sim é isso. A gente vai se identificando aos poucos com ele e eu tenho a impressão que você atinge a nossa emoção pra depois colocar as idéias. Acho os seus textos "poéticos", lembrando-me Rabindranath Tagore. É como se conseguisse "abrir" uma porta em nossa memória e por ela vemos desfilar as recordações - mesmo princípio que advogava Aristóteles quanto à função do discurso: provoca uma impressionabilidade na alma. Você saberia dizer se faz isso intencionalmente?

18/9/07 17:17  

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Quem? Renan Ramiro.
Onde? Atmosfera.
Rapaz de estilo urbano, num tema me-vê-uma-goiaba. Arrisca uns rabiscos, coloca aqui. Apaixonado por música, por amigos e tem um coração de fácil acesso, embora não saiba classificar tal característica como boa ou ruim. Lê de vez em quando, é vegetariano e gosta de filmes que mostram o mundo de uma forma que as pessoas não estão habituadas a vê-lo. Ainda vive.

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