Terça-feira era seu dia de barbear. Sabia que quarta-feira era dia de estranharem o seu rosto nu e pegava a navalha afiada, se espumava na cara toda, tirava tudo, jogava nos cantos da pia. Deixava a pia molhada com espuma e pêlos. Era assim terminavam as suas terças-feiras.
Certa terça-feira, sua navalha passou pela sua orelha direita, arrancando-lhe um pedaço. Deixou então a pia molhada com espuma, carne, sangue e pêlos. No dia seguinte, em um tempo em que já haviam se acostumado com a nudez própria das quartas-feiras, passaram a estranhar a nova ausência. Foi assim que ele se sentiu indescritivelmente bem fugindo da rotina das quartas. Indescritivelmente bem - um estado que realmente só ele e seu narrador onisciente podem saber.
E que fique bem claro que esse texto possui um narrador onisciente (que supostamente sabe também onde um texto deve acabar), para que entendam a sua estranheza.
(por Renan Ramiro)Marcadores: Calafrio, Catavento |
5x Aaahhh:
para reacostumar com a terceira pessoa, que já estava tão ausente em meus textos (mas sem abandonar a primeira, é perceptível)
hahahahahaha!
não pude deixar de rir, desculpe!
mas... que coisa não?!
sabe o que é belo?!
transformar algo tão simples e, teoricamente, sem importância como o barbear em algo tão inusitado e engraçadinho!
apreciei e com moderação!
=D
beijo
haha
adorei o narrador onisciente :P
muito criativo
hahahahahahaha
eu, como anarito, ri tbm ahaha!
mas isso não é novidade, né? aiuhauhauha
gostei bastante! \o/!
e.. que narrador, ein? auihauihauihauiha o.o
Me diverte e me inspira, mas a inspiração passa assim que abro a janelinha dos comentários e acaba virando isso.
Tia Aline Cláudio
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