Sobrevi Vento Envergonhado

Sobreviventes do incrível homem vento...

O Homem Vento

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sábado, dezembro 23, 2006
Corpos Inc.
Não havia mais espaços para vaidades. Ela não gostava de ser careca, não gostava de ter a pele do pé enrugada, mas não tinha o que fazer. Nem mesmo se importava com o gelo da cama onde deitava.

E ninguém se importa... Mexem com o coração dela, mexem com outras coisas dentro dela. Ninguém se importa se ela tem ou não alguma vaidade. Ninguém se importa se ela tem ou não família. Ninguém se importa sobre como ela seria se não fosse careca. Mas eu digo, seria linda. Linda e vaidosa.

Nunca se sentiu bem quando nua na frente de alguém. Jamais quis ser tocada como está sendo tocada agora. Mas não haviam vontades ali!

A única vontade, talvez um pouco egoísta e ofensiva, estava nas pessoas que freqüentavam o quarto dela todos os dias. Uma vontade sublime de sabedoria, pela humanidade. Vontade que os alunos tinham de aprender, vontade que o professor tinha de ensinar, vontade que ele tinha de sair com a aluna dos olhos azuis. Vontade que ninguém tinha de pensar na vida e nas vaidades do cadáver da aula de anatomia, mesmo visitando-o quase todos os dias.

(por Renan Ramiro)

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Soprou O Incrí­vel Cabeça de Vento @ 12/23/2006 02:44:00 PM   2 suspiros

quarta-feira, dezembro 20, 2006
Problemas de Estação
Assim como o começo da minha vida, quando fui separado do meu cadarço original, o fim está sendo duro para mim. Jamais imaginei que, depois das aventuras que vivi, teria então muito tempo para lembrá-las.

Conheci meu dono no fim de sua adolescência. Logo meus cadarços brancos foram trocados por cadarços verdes e, depois de umas voltas pela cidade, fomos atrás do seu primeiro emprego. Conseguimos numa loja de calçados. Durante o serviço, ele tinha que usar outro calçado, mas sempre quando terminava o expediente, me claçava e pegávamos o ônibus (correndo, algumas vezes). Sempre fiel a mim. Eu nem reclamava de esperá-lo no trabalho, já que eu sempre estava conhecendo calçados novos, simpáticos, confortáveis e de última linha. Cada um com sua história por acontecer, querendo saber se eram ou não da moda, gostando ou não disso. Mas nenhum daqueles destinos talvez fosse tão bom como foi o meu.

Quantas vezes pulei nos shows da banda preferida dele! Quantas vezes suportei estar debaixo da poltrona do cinema vendo uma melissa moderninha a se balançar lá fora. E por quanto tempo bati com a cara na parede quando o namoro do meu dono com a dona dela não deu certo! Como me senti aliviado em revê-lo quando quase fui roubado!

Tanta coisa para, no fim, o calor fazê-lo trocar-me por um chinelo e, ainda pior, um outro tênis mais aberto e fresco. Que saudade eu sinto de cruzar os tornozelos... que saudades eu sinto do inverno de verdade!

(por Renan Ramiro)

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Soprou O Incrí­vel Cabeça de Vento @ 12/20/2006 11:26:00 AM   4 suspiros

O Homem Vento

Quem? Renan Ramiro.
Onde? Atmosfera.
Rapaz de estilo urbano, num tema me-vê-uma-goiaba. Arrisca uns rabiscos, coloca aqui. Apaixonado por música, por amigos e tem um coração de fácil acesso, embora não saiba classificar tal característica como boa ou ruim. Lê de vez em quando, é vegetariano e gosta de filmes que mostram o mundo de uma forma que as pessoas não estão habituadas a vê-lo. Ainda vive.

Algo mais?
Ventando
Ventado
Outros Ares
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